aleatórios

O diabo da rotina

9:08 AM

Eu juro que queria ser aquele tipo de blogueira organizadinha, que tem planner mensal, semanal e anual, que consegue seguir o bullet journal ou que tem pelo menos um cronograma de postagens ou dias específicos para postar. Queria ao menos conseguir disposição para postar na fanpage do blog que "tem post novo no ar". 

Ao invés disso eu me perco por entre dezenas de agendas compradas e não utilizadas, e publicações postadas em dias totalmente aleatórios.

coloquei foto de praia porque é onde eu queria estar
Eu havia planejado fazer um post "apresentando" o novo blog, por exemplo dizendo porque escolhi esse nome para ele, porque larguei o Tô Bem, Tô Zen etc,etc..  mas eu acordei meio virada e não vou escrever sobre isso não. Um dos motivos dessa nova mudança foi para me libertar, postar sobre o que estivesse com vontade e sem regrinhas. Seria legal fazer uma postagem sobre o que eu mencionei acima, mas eu descobri que não estou muito a fim e por esse motivo estava adiando e procrastinando, e não quero esse lugar aqui mofando, dessa forma vou seguir o fluxo e deixar tudo fluir naturalmente (algo que, inclusive, estou tentando trazer pra real life).

E por falar em vida real, aqui tá tudo incongruente, mas sigo tentando me achar. 

aleatórios

Pelas ruas de Budapeste, caminham as várias versões de mim

4:56 PM

Eu não sei bem quando aconteceu, mas de repente como uma leve perturbação na consciência, eu me dei conta de que havia me perdido.


É difícil aceitar que talvez você não seja mais a mesma com que estava acostumada, e mais difícil ainda é tentar detectar se isso é bom ou ruim, principalmente porque o que na minha antiga versão era bom ou ruim, importante ou desimportante, pode ter sofrido inúmeras inversões de valores e já não ter o mesmo significado de antes. E agora, como saber se eu sou mesmo, ou se sou esse cara do lado? (muito fã de Dias de Truta sim).

O fato é que mudamos, não é mesmo? como seria possível acompanhar todas as multiplicidades do mundo caso não passássemos de uma massa em inércia e inalterável? Nós mudamos, afinal. Estamos em constante contato, em constante agitação, somos átomos gritantes e pulsantes que retiram do meio e também dão a ele, e esse não passa de um lampejo da Rafaela de agora, mas quem será capaz de dizer o que a Rafaela de depois terá a dizer?

Há uns quatro anos eu escrevia incessantes resenhas literárias para um blog literário, e de repente não escrevia mais, de repente eu falava sobre tudo, acompanhada de uma amiga, no Tô Bem, Tô Zen, e logo depois eu me debruçava sozinha sob o mesmo falando sobre mim, e bem, agora já não mais. Uma nova versão de mim ascendeu em algum momento entre o crepúsculo e o amanhecer, e aquele antigo lugar vestido em tons de rosa e cinza já não era suficiente para suprir os meus anseios e guardar pedaços de mim. E para além do mundo virtual eu realmente consigo sentir minhas várias versões se chocando, e eu não vou mentir, tenho medo pra caramba de onde suas intercalações irão me levar, medo das baixas e das pessoas e momentos que posso perder no caminho.

foto antiguinha que eu amo
Mas a vida é assim, e essa sua mutualidade mesmo me dando medo, também me atrai de forma surpreendente. Tenho tido uma enorme curiosidade em desvendar o caminho, em me aceitar e me aventurar, caminhar por entre ensinamentos buda, pela música folk americana, ser levada a Budapeste pela vibração sonora de George Ezra cantando ao meu ouvido enquanto bebo um chá de erva cidreira.. Eu descobri que amo a interdisciplinaridade, eu sou inter e sou ligação, e essa foi a menor das descobertas da semana.